Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

Anúncio de uma nova conjuntura


          A Junta de Serro Ventoso anuncia a inauguração de um novo centro de saúde na freguesia. Por seu lado, a Junta de S. João inaugurou, pela primeira vez em 700 anos, uma nova sede na sua própria freguesia. A Câmara anuncia querer iniciar as obras de saneamento na vila de Mira de Aire e não abdica de embelezar a vila de Porto de Mós. Afinal, a quantas vozes se faz o desenvolvimento do concelho?


          A resposta a esta pergunta encerra em si a própria concepção política do nosso poder autárquico. A atitude desafiadora das Juntas de Serro Ventoso e de S. João que assinalam um ano de mandato com inaugurações à revelia do actual poder municipal pode ser visto obviamente como uma forma de confronto político-partidário momentâneo ou então, despida a “camisola partidária”, poderá revelar algo mais profundo, sinal de que as Juntas de Freguesia querem ter a autonomia que a lei lhes confere para gerir a sua própria agenda de desenvolvimento local. Esta é uma pretensão respeitável, e assim, o município terá um  desenvolvimento a tantas vozes quanto o espírito empreendedor dos seus autarcas ditar. Aqui reside uma das virtudes do poder local democrático.

          Todos sabemos, contudo, como a Câmara pode condicionar este movimento e até “fazer batota” política com a administração da aprovação de projectos e financiamentos. No fundo, e numa lógica de manutenção do poder, a Câmara pode escolher “filhos”, rejeitar “enteados” e travar iniciativas locais que dêem protagonismo a alguns presidentes de Junta inconvenientes.  E no entanto, o que os eleitores do concelho esperam é que a Câmara seja motor e não travão. A bem do município e do serviço público que presta aos munícipes, a Câmara, que não detém o monopólio do desenvolvimento local, nunca deveria cair na tentação de despir a camisola de Presidente de Junta aos eleitos locais porque isso significaria que as Juntas de Freguesia passariam a ser simples delegações da Câmara Municipal, numa completa subversão do sistema político local.

          No passado recente, e sob o manto protector do Partido Social Democrata, qualquer freguesia que reclamasse o direito à autonomia que a lei lhe confere, era votada ao ostracismo porque colocava em causa o bom nome e a pretensa unidade do município. Hoje, que um certo défice democrático foi aparentemente superado, o que se pede aos detentores de cargos políticos, na Câmara ou nas Juntas de Freguesia, é que deixem definitivamente de lado o jogo da pura gestão individual das suas carreiras políticas e assumam a responsabilidade da condução do nosso destino comum. Sem complexos de poder, uns e outros têm uma terra por desenvolver, bem-estar e paz social para proporcionar a todos os portomosenses, da Calvaria ao Arrimal. O reconhecimento dos eleitores advirá pelo mérito e competência e não por "truques" mais ou menos bem encenados. Afinal foram os portomosenses quem escolheu esta conjuntura política e, assim pôr à prova os nossos políticos locais.

publicado por Joga às 21:04

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