Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Regresso a Angola

          Mais de 130 mil portugueses estão em Angola. Vão como emigrantes, consultores ou empresários. Os angolanos chamam-lhes “expatriados”. Em tempo de crise generalizada, também alguns portomosenses não resistiram a um certo “apelo de África” e embarcaram nesta verdadeira ponte aérea, rumo à terra da oportunidade. Por uma semana, aceitamos um desafio e partimos também.

 
          30 de Maio de 1659. Frei Diogo de S.to Alberto, um portomosense do Alqueidão da Serra e os companheiros Carmelitas Descalços, partiam  para Angola com a missão de fundar, um dos melhores conventos daquela congregação religiosa.
          Cerca de 350 anos depois, estou em pleno voo comercial, com três colegas de trabalho, rumo a Luanda. Missão: ajudar a lançar a primeira televisão privada daquele país, a TV Zimbo, que iniciará as suas emissões regulares já no dia 14 de Dezembro.
          A comparação é, no mínimo, curiosa. A minha aventura só agora começou mas se nem o nosso Frei Diogo precisou de um milagre para fundar um dos melhores conventos de Angola, acredito que este canal de televisão vai revolucionar o panorama do audiovisual angolano. Estamos todos muito empenhados nisso.
          De resto, espero que o regresso a Porto de Mós seja preenchido com a alegria interior do dever cumprido e sem sobressaltos, ao contrário do que aconteceu ao nosso frade Carmelita que viu naufragar o navio em que seguia. Frei Diogo foi dado como morto e, em sua memória, foram mesmo efectuadas as exéquias do costume. Tempo largo mais tarde, através do reino de Castela soube-se que ele havia sobrevivido ao ser socorrido por um barco mouro. Estava cativo em Argel e para a sua libertação muito contribuiu D. Maria, duquesa de Aveiro, e seu marido, que pagaram o fiança.
          A circunstância profissional em que me encontro mais não fez do que resgatar do meu esquecimento a memória, um tanto épica, deste nosso conterrâneo e lembrar todos os portomosenses pioneiros e empreendedores de algum dia… mesmo que o "regresso a Angola" não seja mais do que o simples e rotinado regresso diário ao local de trabalho.

 

publicado por Joga às 00:01

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1 comentário:
De mais um a 28 de Novembro de 2008 às 04:16
Ouça tenho 28 anos. E arranco já para onde calhar. A única certeza que tenho é que por aqui não há remédio.

Estamos finalmente no fundo e se não o vemos é porquê os papás ainda ajudam e muito.

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