Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Caminhos de Fátima

          Para João Salgueiro, há todo o interesse em recuperar e revitalizar os percursos que fizeram o caminho português para Santiago de Compostela e vai disponibilizar os serviços municipais para fazer o levantamento desses percursos no nosso concelho. Naturalmente conta com o apoio do organismo que gere este produto turístico, o Xacobeo, cuja missão é dinamizar o turismo galego através da exploração do imaginário remoto das antigas peregrinações a Santiago de Compostela. Resta saber, afinal, que interesse é esse que, de súbito, faz do nosso presidente da Câmara um dos mais recentes entusiasta deste projecto do turismo cultural espanhol.

 

          Evocando a história epicamente romanceada pelo punho de Maria Ventura, também o nosso primeiro rei terá sido interpelado por este fenómeno galego mas agiu de forma diferente. Os dias eram outros… Afonso Henriques procurou contrariar a saída de benefícios do reino de Portugal, recém fundado, e que rumavam com os peregrinos para norte, para Santiago de Compostela. Com essa intenção mandou construir em Lisboa o convento de S. Vicente e nele colocou, trasladados de Sagres, os restos mortais deste santo martirizado pelos romanos no séc. IV na esperança de aqui fundar um próspero centro de peregrinações ibéricas. Mas, como é notório, Afonso Henriques não teve grande sucesso neste projecto. 

          Ironia do destino, o centro internacional de peregrinações haveria de nascer em Portugal, séculos mais tarde, numa terra que o próprio rei Afonso Henriques doou ao cavaleiro Gonçalo Henriques, o traga mouros, pela conquista de Alcácer. Fátima era o nome da moura raptada em Alcácer pela paixão daquele cavaleiro. Por vontade da princesa Teresa, filha do nosso primeiro rei, a moura Fátima foi baptizada com o nome de Oureana. O cavaleiro Gonçalo Henrique foi investido alcaide de Abdegas, terra esta que também mudou o nome para Ourém em homenagem a Oureana e por vontade da princesa Teresa. Fátima, nome da moura cativa antes do baptismo cristão, é hoje a terra e o fenómeno espiritual que conhecemos.
          Não sabemos se Afonso Henriques alguma vez foi em devota peregrinação a Santiago, mas sabemos que João Salgueiro se fez peregrino de Fátima num gesto que marcou o seu primeiro acto público como presidente eleito. Se é certo que ninguém consegue penetrar no espírito e nas intenções de um peregrino, não é menos verdade que aquela experiência pessoal do nosso presidente deveria, pelo menos, tê-lo sensibilizado para as condições de insegurança rodoviária a que estão sujeitos os peregrinos de Fátima que percorrem a pé o nosso concelho rumo àquele santuário mariano. Seria porventura mais útil e necessário ocupar os serviços municipais na marcação e protecção dos caminhos de Fátima que atravessam a nossa terra.

          Hoje foi dia de peregrinação. A Fátima, bem se vê.

publicado por Joga às 14:42

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2 comentários:
De corrente a 3 de Outubro de 2007 às 01:52
O problema vai ser o custo dos cosméticos , e se ainda vai algum para o Fundo dos Funcionários para irem a Santiago.
Deixem-se de tretas, valorizem o que ai têm, se não sabem fazer organizem-se e peçam ajuda aos nossos Hermanos autênticos profissionais das artes de iludir, pois só assim é que vão ver as figas que eles nos fazem quando se trata de dar, pois como se sabe eles estão muitos anos luz à nossa frente na área empresarial. De facto Portugal é não só um pais pequeno, como ainda é mesquinho.
De quanto é o investimento para a nossa ajuda, qual o valor acrescentado que isso nos trás, poderiamos talvez inserir na parte traseira das placas de identificação do Caminho de Santiago a referência a Fátima, pois ao subirem lia-se C. Santiago ao descer Fátima. Era uma grande ajuda poupava-se em placas. Tenham mas é tino, desenvolvam é os Conselhos Portugueses e se os Hermanos querem papa que comam milúpa .
De Ana Narciso a 14 de Agosto de 2007 às 22:54
O Partido Socialista concorda com as prioridades do executivo que ajudou a eleger?
O silêncio sobre procedimentos questionáveis e dinheiros públicos gastos em obras de cosmética , começa a ser insuportável.

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