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Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Salgueiro e a crise

          Na conferência Região de Leiria, “O papel das autarquias na gestão da crise”, Eduardo Cabrita, Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local diz que o Governo está a fazer a “parte que lhe cabe”, mas os municípios têm também um “papel decisivo na criação de relações de confiança com os agentes locais e na promoção do investimento e de políticas sociais de proximidade”. Parece que Salgueiro esteve ausente desta conferência.

 
          Ainda assim, ou talvez por isso, não deixa de ser preocupante a cortina de fumo que invade o raciocínio e tolhe a acção do executivo municipal na definição de uma estratégia de combate à crise. Tomemos, como exemplo, as declarações do presidente da edilidade em dois momentos: 
 
SALGUEIRO ANUNCIA MEDIDAS PARA ENFRENTAR A CRISE 
 
 
Região de Leiria, 16-Jan-09
“Reforço da atenção à área social, com a concretização de algumas medidas pontuais e o apoio ao tecido empresarial susceptível de enfrentar maiores dificuldades num cenário, agora já bem real, de crise, são as grandes prioridades de João Salgueiro, presidente da Câmara de Porto de Mós, para amortecer o impacto da conjuntura desfavorável no concelho. O que está na imediata alçada da autarquia, Salgueiro elenca a acção de apoio às famílias carenciadas. “Actualmente estamos a apoiar a reconstrução de quatro casas (1)degradadas de pessoas que vivem em condições que consideramos não serem dignas”, ilustra a título de exemplo. A franja mais desfavorecida da população está no centro das atenções, com o município a servir já cerca de 250 refeições (2) diárias gratuitas nas escolas do concelho. Um esforço que é para continuar. Em breve, o executivo vai igualmente discutir formas de reforço do apoio prestado às famílias carenciadas ou em risco de exclusão, de que é exemplo a aplicação de tarifas de água mais “generosas”. Medida que deverá abranger igualmente as famílias numerosas (3). Outra prioridade centra-se em procurar minimizar o impacto de um eventual crescimento do desemprego, resultado da erosão da crise no sector empresarial, em especial o da cerâmica decorativa.”  
 
SALGUEIRO CRITICA “MEDIDAS ANTICRISE PORQUE TÊM FUNÇÃO ELEITORALISTA"
 
O Portomosense, 5-Mar-09
“Para Salgueiro algumas das medidas anunciadas por outros municípios, têm uma função eleitoralista, já que, em termos práticos, os seus efeitos são quase nulos. “O pagar ou não a água é mais uma questão de charme político que outra coisa (3). Não é um problema social do concelho nem da generalidade dos outros” frisou, acrescentando que “o valor do primeiro escalão da água equivale, apenas, a cerca de um por cento das despesas do agregado familiar” (3). Mas, de modo a afastar quaisquer dúvidas sobre as preocupações da Câmara nesta área enumerou alguns exemplos: “estamos a dar cerca de 500 refeições (2) por dia a crianças que se calhar têm ali a sua única refeição do dia; suportamos parcialmente o custo de muitas outras refeições (2) bem como passes e material escolar; estamos a apoiar obras em meia dúzia de casas (1) de pessoas carenciadas; somos das câmaras que têm o IMI mais baixo, e fui eu o primeiro autarca (4) a reunir com o Governo e outras entidades para alertar e encontrar soluções para grave situação do sector da cerâmica”. 

 

          (1) Afinal quantas casas está a Câmara a ajudar a reconstruir: Quatro? Meia dúzia? Algumas? Nenhuma?...    
           (2) Posteriormente, em declarações ao Região de Leiria, de 13-Mar-09, Salgueiro alterou pela terceira vez a sua própria versão para: “gratuidade de 250 refeições diárias e comparticipação a 50% de outras tantas”. Em que ficamos?
          (3) Pelos vistos Salgueiro quis "fazer charme" mas arrependeu-se, vá-se lá saber porquê. Depois, confunde rendimento familiar com os escalões da água. Os escalões não são atribuídos mediante o rendimento familiar mas de acordo com o consumo de água por habitação, como todos sabemos. O que diz é um inadmissível disparate.
          (4) Nesta corrida insana pelo protagonismo, que invade os pensamentos de Salgueiro, parece que o nosso edil ficou, afinal, em segundo lugar… “Depois da Batalha e Porto de Mós, agora foi a vez de Alcobaça alertar o Governo para os problemas no sector da cerâmica” pode ler-se n'O Portomosense de 13-Jan-09.
 

          De resto, todas as medidas desconexamente enfatizadas por Salgueiro fazem parte do programa normal de Acção Social de qualquer Câmara deste país e, apesar do primeiro-ministro ter assumido no inicio do ano que “estamos numa crise que só se vive uma vez na vida”, o nosso executivo municipal (que diz que o cenário da crise parece, realmente, é, talvez, já bem real...) é o único da região que acha não ser necessária nenhuma medida especial ou de excepção para proteger as famílias mais vulneráveis, fazendo uso do novo argumento de ocasião: essas medidas são eleitoralistas. Mas isto é agora. Amanhã pode ser tudo ao contrário, dependerá da meteorologia nos Paços do Concelho. A crise, essa, já chegou e, independentemente da irresponsabilidade ou incompetência do executivo municipa, está a minar o tecido social do nosso concelho. Ó valha-nos Deus!...

publicado por Joga às 00:01

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4 comentários:
De Armindo Vieira a 20 de Março de 2009 às 10:58
Realmente a conferência foi deveras interessante.
Sem me arvorar em defensor de ninguém, quero informar que estavam lá alguns autarcas do concelho de Porto de Mós - presidentes de JF (poucos) - entre os quais o presidente da Câmara de Porto de Mós, João Salgueiro.
Portanto, referir que "Salgueiro esteve ausente desta conferência", é pura e simplesmente falso. Ele entrou, precisamente na altura em que o secretário de Estado iniciou a intervenção.
Volto a referir que não estou a defendê-lo, porque se ele ñ estivesse eu seria o primeiro a conmdenaressa atitude.
Se necessário fôr poderei referir quais os autarcas do n/ concelho ali presentes.
Armindo Vieira
De Joga a 20 de Março de 2009 às 14:29
Olá Armindo e obrigado pelo seu comentário. Gostaria só de esclarecer o que escrevi. E o que escrevi, está escrito: "Parece que Salgueiro esteve ausente desta conferência". É publico e notório que Salgueiro foi a essa conferência mas "parece" que esteve ausente. Está a ver a diferença? De resto esta expressão é comum quando uma criança, por exemplo, está nas aulas mas está "com a cabeça no ar". É a chamada figura de "corpo presente" porque não está a colher nenhum ensinamento da professora... É este o sentido que dei à frase. Penso que é bastante claro.
Cumprimentos
JG
De Armindo Vieira a 20 de Março de 2009 às 16:12
Obrigado pelo esclarecimento, no entanto, o meu comentário vai no sentido de esclarecer aqueles que, tal como eu, ficaram na dúvida se seria má informação ou frase irónica...
Ao dispor.
Armindo Vieira
De Paulo Sousa a 20 de Março de 2009 às 00:25
Quando não sabe para onde se vai vacila-se em todos os cruzamentos.

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