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NOTÍCIAS porto de mós

Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Terminar da pior forma

          Recentes episódios envolvendo o presidente Salgueiro e alguns opositores estão a transformar a nossa vida política num permanente circo de crispações pessoais. E nem a quadra natalícia serenou os ânimos. Para já, Salgueiro obteve uma vitória de Pirro ao provocar a renúncia ao mandato do deputado Jorge Vala. Mais algumas vitórias como esta e estará arruinada a convivência democrática nas nossas instituições municipais.

 

Cronologia Mediática
Irene Pereira       Em artigo de opinião, a vereadora Irene Pereira acusa o presidente Salgueiro de “receber reforma e vencimento e não consta que tenha entregado nada a instituições como prometeu”.
João Salgueiro      Usando a figura jurídica do “direito de resposta”, o presidente Salgueiro garante: “não acumulo, conforme documento que já lhe apresentei, qualquer reforma com o meu vencimento”. Ameaçando que a sua reacção “não ficará apenas por este desmentido”, Salgueiro conclui o seu esclarecimento público com a acusação: “só tenho uma palavra para a classificar – MENTIROSA!”
      Em comentário das 16h24 no blogue Vila Forte, a vereadora Irene Pereira esclarece: “solicitei informações à Caixa Geral de Aposentações uma vez que o documento apresentado não correspondia ao original existente na Câmara. Aguardo esclarecimentos da CGA... Se fui injusta ou faltei à verdade, cá estarei para assumir...”
João Salgueiro      O presidente Salgueiro anuncia que vai processar judicialmente a vereadora, “para que não subsistam dúvidas”.
     Salgueiro anuncia novos pormenores do processo judicial: “Vou também pedir uma indemnização cível, que, naturalmente, depois irei entregar a uma ou mais instituições de solidariedade social do concelho”.

► 24 de Dezembro 2008

Jorge Vala     É conhecido publicamente que o deputado municipal Jorge Vala renuncia ao mandato como reacção à “mentira” do presidente João Salgueiro segundo a qual, a mulher de Vala, que é funcionária municipal, daria informações privilegiadas ao marido sobre o que se passa na Câmara.

          Em lume brando esteve a “arder” o conflito entre o presidente Salgueiro e a vereadora Irene Pereira. Levantou fervura com o anúncio de um processo judicial contra a vereadora.

          Sem fazer juízos de intenções, convém salvaguardar que a vereadora Irene, no pleno exercício das suas funções de vereadora da oposição (que é suposto ser um contra-peso na fiscalização política dos actos do executivo) e usando a liberdade de expressão que a legitimidade democrática de representação popular lhe confere, procurou questionar politicamente o cumprimento de um conjunto de promessas com as quais Salgueiro ganhou as eleições. Fê-lo num artigo de opinião no jornal local e depois terá confrontado argumentos pessoalmente com o presidente da Câmara. Este respondeu, também publicamente, usando as páginas do mesmo jornal e disse o que entendeu em sua defesa, deixando, ainda assim uma prometedora ameaça no ar.

          Destes dois textos tirarão os eleitores as suas conclusões. Ambos os antagonistas esgrimiram publicamente os seus argumentos sendo certo que este episódio, por si só, não beliscaria em nada a muita ou pouca dignidade de Salgueiro. De resto, submeter-se ao escrutínio dos vereadores da oposição e da opinião pública, esclarecendo naturalmente o que julgar oportuno, é um exercício de humildade democrática de quem exerce cargos públicos. Como diz o ditado, “à mulher de César não basta ser séria…”. É, assim, extemporâneo o anúncio de um processo judicial contra a vereadora. É mesmo incompreensível a promessa de que a indemnização cível vá para uma qualquer instituição de solidariedade do concelho, uma vez que ainda não houve julgamento (nem se sabe tão pouco se a queixa deu entrada no tribunal...) e há a presunção de inocência da eventual arguida até a sentença transitar em julgado. Para que a justiça seja administrada, não basta a palavra de Salgueiro, mesmo que seja o presidente da Câmara.

           Acusado de não cumprir as promessas que faz, ironicamente, Salgueiro não se coibiu de fazer mais duas: prometeu um processo judicial contra a vereadora Irene Pereira e prometeu a doação da indemnização a uma qualquer instituição de solidariedade social do concelho. A ver vamos qual será o alcance destes seus compromissos públicos.

 

          Se somos feitos da matéria dos nossos sonhos, como diz Shakespeare, então o ano político local, que agora finda, não passou de um pesadelo.

          Que esta noite da mudança de ano nos inspire a todos para fazer o impossível pela nossa terra, e o impossível é, afinal de contas, o possível que nunca foi tentado antes. Albert Einstein sugere a chave: “não resolver um problema usando a mesma forma de pensar que o criou”.

          É que o ano terminou da pior forma… 

publicado por Joga às 00:01

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11 comentários:
De Joga a 7 de Janeiro de 2009 às 13:00
Caro amigo que deixou comentário às 04:27, 2009-01-07
Agradeço o seu comentário que transcrevo com a reserva da identidade das pessoas em causa:

"[nome de professora] 2286,52€ [nome de professora] 2285,64€ [nome de professora] 2623,37€ [nome de professora] 2609,44€ Estas são as REFORMAS de 4 professoras do nosso concelho, como estas há uma grande lista todos os meses em http://www.cga.pt/listamensalDR.asp Onde está a recessão??? Pessoal que se esfalfa a trabalhar para depois receber pouco mais do salário mínimo e depois dos 65 anos receber menos de 300 euros de reforma UNI-VOS!!! ISTO É MOTIVO PARA COISA MAIOR DO QUE UM 25 DE ABRIL!!! ISTO E BRINCAR COM QUEM TRABALHA!!!"

O seu comentário é perfeitamente compreensível, numa altura de crise anunciada e em que as diatribes acerca da reforma do presidente Salgueiro têm estado no top da nossa agenda política local.
A reserva de identidade que salvaguardei deve-se ao seguinte:
As professoras em causa não sendo nem figuras públicas, nem detentoras de qualquer cargo público, nem tão pouco protagonistas de qualquer acto socialmente condenável, mantêm o direito à privacidade. Publicar, de forma gratuita, os nomes das professoras em causa seria, de resto, um acto injustificável de devassa da vida privada e não acrescentaria nada de relevante ao teor do seu comentário.
Espero que compreenda.
Obrigado
De Ana Narciso a 7 de Janeiro de 2009 às 19:18
Não Joga não é compreensível. Não podemos comparar o que não é comparável e comparar tarefas diferentes , salários e encargos sociais absolutamente diversos é de uma enorme fragilidade argumentativa que se traduz numa única palavra : ignorância.
De Joga a 7 de Janeiro de 2009 às 20:08
Olá Ana Narciso
Em tese, podemos e devemos fazer de qualquer assunto tema de discussão. A discrepância de salários dos administradores das empresas públicas versus os salários do Presidente da República ou do Primeiro Ministro, por exemplo, é tão actual como as diferenças nas pensões de reforma. Num cenário de crise, é natural que estes factos ganhem outra visibilidade.
Mas o seu comentário é igualmente compreensível e pertinente.
Abraço
De um alqueidoense a 4 de Janeiro de 2009 às 13:56
Joga
Você lê blogues.
Tem acompanhado a história das pistolas.
Você foi o responsável pela comunicação da campanha do Salgueiro.
Não sente remorsos de ter ajudado tal espécime?
Já deu a entender que se enganou.
Deixe lá,não foi o único.
Faça um comentário, os alqueidoenses já perceberam que foram iludidos.
Você parece ser um tipo de principios.
Publique, o sentimento de arrependimento é dos que mais são apreciados por Deus,se é que isso o preocupa.
Se não fôr,que seja a população da sua terra.
De Pedro Oliveira a 3 de Janeiro de 2009 às 23:14
Meu caro,
Chegado de férias passei por cá só para te desejar um bom ano.vamos falando...
abraço
De José Ferreira a 2 de Janeiro de 2009 às 10:49
Ao folhear o Correio da Manhã de hoje,e a propósito das prendas de Natal, se pode confirmar,que o Sr presidente não sabe de nada.
Nada tem a ver com o assunto.
As pobres funcionárias,que conheço bem,a Dra Zaida e a Dra Sofia,excelentes profissionais,é que serão responsáveis pela irresponsabilidade.
Valha-nos S.Isidro.
De Ana Narciso a 2 de Janeiro de 2009 às 09:10
Penso que está na hora dos protagonistas avançarem com processos em tribunal ;o concelho merece que se gaste tempo e energia na solução dos problemas que nos afligem.
Afinal as perguntas que o Deputado Municipal Jorge Vala fez são muito pertinentes e delas depende o futuro de muitas gerações que vivem e viverão em Porto de Mós. E essas estão respondidas onde? Aí não há respostas do Município? A reforma ou falta dela não pode ser o problema central desta terra. Não, não podemos ir por aí.
De Puck a 1 de Janeiro de 2009 às 22:40
Desta historia toda,para já, pode-se concluir:
-não é certo e seguro que Salgueiro nada receba,porque:
-como está suspenso o pagamento pela CGA, será que não o virá a receber,quando cessar funções?

-ou os 30% que tem direito estarão a servir para pagar à CGA,dos anos a pagar por se reformar antecipadamente?
Aliás, foi ISTO que pediu por oficio por ele assinado e dirigido à CGA pouco tempo depois de tomar posse!

MAS uma coisa está provada:
para justificar a sua verdade, foi capaz de apresentar na reunião de Camara, um documento que NÃO CORRESPONDE ao original arquivado nos serviços.
Fazer isto pode ter muitos nomes,mas nenhum será simpático.
Não pode dizer que não queria que se soubesse o valor.Está publicado no DR.
Então qual a intenção?
Certo é que quem disto é capaz, e se de facto nada beneficia da reforma, então é que não dá para perceber porque altera um documento.
Será que foi só este? A dúvida está instalada.
A vereadora talvez não consiga provar que Salgueiro recebe reforma.
Mas para já foi demonstrado,que Salgueiro utiliza meios e processos que não são aconselháveis a ninguém, e muito menos, quando se quer defender a honra desta forma.

De António Pires a 1 de Janeiro de 2009 às 22:20
Começo por desejar ao PensarPM ", a todos os seus responsáveis e a todos os portomosenses um ano de 2009 com tudo de Bom.
Sobre o que se passou na última A. Municipal, uma vez que estive na 1ª e na 2ª sessão, para que não restem quaisquer dúvidas, pois posso ser suspeito, quem tiver a curiosidade de saber o que se passou pode pedir ao Presidente da Mesa da A. Municipal cópia da gravação áudio e por aí consegue ver quem se precipitou com as declarações aí proferidas. Terá sido o Deputado Jorge Vala ou o Presidente João Salgueiro.
Na minha opinião, em face das interpelações legitimas e correctas do Sr. Jorge Vala, a precipitação/falta de resposta convincente é do Sr. João Salgueiro. Mas, como disse atrás, ouçam a gravação e depois tirem as V/ ilações.
Quanto ao comportamento/falta de respeito dos Deputados Vítor Louro e Ana Paula Noivo, não merecem quaisquer comentários.
De Nuno Matos a 1 de Janeiro de 2009 às 20:45
Feira das Vaidades...
Gostaria de saber o que o futuro ex-vereador pretende com a sua decisão de renunciar ao mandato?
Só com a demissão não prova nada, aliás, se é mentira isto abre uma porta ao Sr. Presidente da Câmara para "eliminar" todos os opositores que tenham família a trabalhar lá no "edifício". E para mostrar indignação não era preciso um acto tão radical.
Eu gostaria era ver a esposa do Sr futuro ex-vereador mostrar a sua indignação e quem sabe ir provar em tribunal a sua inocência [áliás, o Sr. Presidente é que devia provar a culpa] e "pedir uma indemnização cível, que, naturalmente, depois irei entregar a uma ou mais instituições de solidariedade social do concelho”.
Enquanto o circo decorre o povo vai sofrendo as consequências.
De M. Matos a 1 de Janeiro de 2009 às 18:55
A palhaçada continua.
E as verdadeiras questões continuam por resolver..

Abraço nº 1 Joga :)

E boa continuação ao Pensar PM

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