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NOTÍCIAS porto de mós

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Homenagens

          Dois alqueidanenses de Porto de Mós foram homenageados este mês. Um, o senhor José Catarino, teve sessão pública de reconhecimento com a inauguração de polémico anfiteatro na sede da Freguesia. O outro, o doutor Pedro Matos foi homenageado, “inter pares”, no Instituto Politécnico de Leiria com o anúncio da fundação, com o seu nome, de um prémio de Matemática dirigido aos alunos do ensino secundário. Representam duas gerações e duas formas diferentes de viver o Alqueidão da Serra. Esta terra pode orgulhar-se destes seus dois “filhotes”.

          Convivi de perto com ambos. A minha juventude, generosa e ingénua como a de qualquer um, foi “tutelada” pela cumplicidade de José Catarino. Mais maduro, aprendi com Pedro Matos o verdadeiro sentido da defesa da Causa Pública e dos Valores Humanos. Cresci, portanto, com ambos. 
          Com ambos estabeleci compromissos que pretendo respeitar enquanto Deus me permitir respirar os ares da serra.
          José Catarino, todos o sabem, foi o subscritor, como presidente de Junta, do contrato-promessa para a instalação do Parque Eólico que está instalado nos terrenos baldios da Freguesia. Aquele contrato condicionou (e de que maneira!) a negociação para a assinatura do contrato definitivo que está em tribunal. No processo de contestação à distribuição da verba de 2,5% do rendimento daquela indústria e por inspiração de Pedro Matos, foi criado um movimento cujo manifesto, assinado simbolicamente por 100 licenciados da Freguesia, saiu numa página inteira do “Jornal de Leiria”. Neste processo, falei pessoalmente com José Catarino e da conversa entendi claramente duas coisas: que ele não tinha percebido ainda a dimensão do problema, reformado que estava da política activa, e que amava a sua terra, pelo menos, tanto quanto eu. Dali saiu um compromisso do qual revelo agora apenas a minha parte: “ninguém ouvirá da minha boca uma palavra crítica, apenas compreensão, sobre o seu comportamento enquanto outorgante daquele contrato”. Com a mesma compreensão de sempre, manterei a minha palavra.
          Pedro Matos era presidente da Assembleia de Freguesia e na sua notável dimensão cívica e visão do problema eólico, não só inspirou o movimento que referi como pagou do seu bolso a página do manifesto publicado no jornal. Dizia ele acerca do custo da operação mediática: “antes para aqui que para o médico”. O certo é que a doença, entretanto diagnosticada, haveria de interromper, mas não matar, o sentimento de injustiça que claramente sabia estar a ser vítima a sua terra-natal. Tal preocupação, que se transformou em algo mais insuportável que as dores que sentia no leito do IPO, fez com que mandasse chamar-me de urgência. Foi naturalmente, para mim que não para ele que mantinha uma serenidade lúcida a toda a prova, um encontro muito emotivo. Reservo para mim as suas últimas palavras de Amigo mas este é o momento de revelar o compromisso que, com ele, estabeleci: “aconteça o que acontecer, te garanto que não deixarei de lutar para que a nossa terra tenha o que merece porque é seu por direito próprio”. Ficou em paz e o meu desassossego é grilhão que transporto depois de ilusória libertação na noite da vitória eleitoral de um presidente da Câmara sem palavra.
          Como se vê, não perdi nem a generosidade nem a ingenuidade dos tempos em que José Catarino era meu tutor, mas ganhei nobreza de carácter com o exemplo de Pedro Matos, meu Amigo. O grilhão que me desassossega, esse, só se soltará docemente quando for feita a Justiça dos homens em relação à terra que os viu nascer... aos dois.

publicado por Joga às 00:01

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3 comentários:
De Ana Narciso a 1 de Novembro de 2008 às 21:49
Comoveu-me o seu post . A nossa vida é o resultado das pessoas que conhecemos e que, ou nos inspiraram ou nos amordaçaram a valores que ficam para a vida. Estes foram inspiradores. Conheci os dois ; um mais superficialmente outro mais de perto. Percebo o impacto e compreendo o peso do grilhão. E só posso concluir que não pode jamais desistir.
De ANTÓNIO DELGAD a 30 de Outubro de 2008 às 15:54
CARÍSSIMO EDITOR DO BLOG "PENSAR PORTO DE MÓS "FOI UM PRAZER CONHECE-LO E JÁ FIZ O RESPECTIVO LINK NO MEU. DADO QUE ESTOU MUITO ATAREFADO ATÉ SEXTA FEIRA , PASSAREI NO FIM DE DE SEMANA PARA VIAJAR NESTE SEU ESPAÇO DE UMA TERRA QUE MUITO ME ENCANTA.

UM CORDIAL E FRATERNO ABRAÇO
ANTÓNIO DELGADO
De Pedro Oliveira a 30 de Outubro de 2008 às 09:34
O Pedro foi meu Professor e a irmã minha colega de turma,dois exemplos para a vida.
O Pedro foi o MELHOR professor que tive até hoje,ele sabia-o,comparo o Pedro a dar aulas de matemática ao Prof.Nuno Crato, a paixão pelos números fazia com que "o bicho de sete cabeças" ,fosse visto como uma disciplina como outra qualquer,mas ensinada de forma diferente.
Não posso dizer que o Pedro era meu amigo pessoal, mas sempre que nos encontrava-mos em Coimbra,conversava comigo,gostava de saber com eu estava e tinha sempre um sorriso.
GRANDE HOMEM.

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