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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Ecovia da Bezerra

           O antigo caminho de ferro da Bezerra, desactivado há 50 anos, vai dar lugar a um caminho para passeios a pé, de bicicleta ou de cavalo. O projecto da obra, pedido pelo presidente da Câmara ao Instituto Superior de Agronomia, vai proporcionar-nos, cerca de 300 mil euros depois, mais um espaço para piqueniques e passeios domingueiros. Fica a faltar a valorização daquele legado cultural e uma marca de originalidade ao projecto.

          Para João Salgueiro, em declarações ao Jornal de Leiria, as obras irão valorizar o turismo de natureza, “uma das potencialidades do concelho”. Cláudia Gomes, 31 anos, arqueóloga e empreendedora, concorda que a ideia da ecovia não é má, “mas tem um erro estrondoso ao isolar o traçado do caminho de ferro do contexto geral, da razão de ser da sua existência.” E questiona se não seria muito mais original e proveitoso contextualizar e explicar

Caminho de Ferro Virtual

  
Pelas particularidades que apresenta, a linha do Vale do Lena ou linha Mineira do Lena faz as delícias dos amantes dos combóios que não se cansam de a recriar virtualmente usando modelos de locomotivas e traçados em 3D
. Mais simulações aqui.
a existência da linha de caminho de ferro, edificando um centro de interpretação do património mineiro na aldeia da Bezerra, que reunisse o espólio interessante do ponto de vista da arqueologia industrial, como se faz por essa Europa fora. “Importa até agir contra o tempo”, diz, “já que o legado oral - histórias da vida da mina, dos acidentes, os cantares e as crenças dos mineiros - corre o risco de desaparecer com as pessoas mais velhas”. A recente publicação do livro "O Couto Mineiro do Lena- histórias e memórias" do nosso conterrâneo senhor Herlander Eleutério da Silva, 80 anos e um dos últimos funcionários da Empresa Mineira do Lena, assume uma enorme importância neste contexto.
          O objectivo da ecovia, diz o presidente da Câmara, é reabilitar um local que teve grande importância na história recente do concelho e da região, dando-lhe uma componente de lazer. Para Cláudia Gomes, este não é o caminho para atingir aquele objectivo, e faz uma comparação: o antigo caminho de ferro da Bezerra é como “uma mulher linda e rica interiormente mas maltratada pelo marido que agora decidiu oferecer-lhe um jardim novo. O caminho de ferro, como a mulher vítima de maus tratos, vai continuar, sem auto-estima, a viver na mesma casa desgovernada e triste”. Esta especialista em gestão cultural é de opinião que se deveria aliar, neste projecto, o lazer à cultura e dá exemplos: “um bom restaurante com os petiscos e licores da zona enriqueceria muito esta ecovia, assim como três ou quatro pequenos albergues de montanha a instalar nos moinhos por exemplo, associada a uma forte promoção dos desportos de natureza e bem estar” seriam elementos interessantes para uma boa gestão dos recursos culturais e naturais daquela área do concelho.
          Numa apreciação geral ao projecto agora anunciado pelo presidente Salgueiro, fica por saber se esta obra vai ser capaz de atrair turistas do eixo Batalha-Fátima e chamar pessoas de fora. Depois, irão os portomosenses desfrutar daquela ecovia em passeios a cavalo ou mesmo a pé? Que atractivos vai aquela obra oferecer para além da beleza natural da serra que já existe e quem irá fazer a manutenção da infra-estrutura? Finalmente, a questão crucial, o investimento vai trazer retorno ao concelho?
O Caminho de Ferro
Mineiro do Lena


          A extinta linha do Vale do Lena merece destaque pelo impacto económico e social que teve na região. Com pouco mais de vinte quilómetros, viu reconhecido o seu interesse regional, ao ser-lhe concedido o transporte de mercadorias e passageiros.
          O ramal da Bezerra,desactivado há mais de 50 anos, foi construída na primeira metade do século XX e atingiu o seu período aureo na primeira Grande Guerra quando a produção nas minas de carvão estava ao rubro. O minério era transportado para as fábricas de cimento de Maceira e Martingança e para a central termoeléctrica de Porto de Mós.
          O que resta do antigo  Caminho de Ferro Mineiro do Lena, tem sido motivo de visitas e estudos dos amantes dos
Caminhos de Ferro.

 

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publicado por Joga às 00:01

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3 comentários:
De Trilhos Sem Fim a 14 de Junho de 2008 às 17:41
O grupo BTT Trilhos Sem Fim fez recentemente o percurso do caminho de ferro e achámos o passeio extraordinário. Uma paisagem bela de arrepiar, o contacto com a natureza ainda "pouco civilizada", descidas vertiginosas e o cheiro a vegetação silvestre tornam o local incontornável para a prática do BTT .
De anónio a 9 de Fevereiro de 2008 às 22:03
Pelos vistos, a linha da Bezerra é como ter a baliza aberta para marcar o golo e as obras que vão fazer é chutar ao lado de uma grande vitória, tipo a nossa selecção. Enfim, mereceríamos melhor certamente.
De pedro oliveira a 7 de Fevereiro de 2008 às 11:19
Não conheço a Drª Claudia Borges e tão pouco tenho formação nesta área, mas as "dicas" que ela dá são muito semelhantes ao que eu penso sobre o assunto e já as escrevi ali ao lado.Parece que só o executivo é que não percebe que não basta fazer, temos de saber fazer.Gostei da analogia feita e espero que alguém da Câmara leia estes textos e os entregue a quem de direito.

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