Intervenção cívica. Pela PALAVRA livre e responsável, com Porto de Mós como pano de fundo.

NOTÍCIAS porto de mós

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Santos e vilões

          Em S. Jorge, no campo da peleja entre o centro de interpretação da batalha de Aljubarrota e a capela mandada erigir pelo Santo Condestável, há uma lápide rasa com um nome, Pedro Alvares Pereira, e um brasão, o de Castela. A escassos 50 metros, o altar-mor da capela sustenta um quadro com uma imagem, a de Nuno Alvares Pereira, e as insígnias de Portugal bordadas com flores naturais. 

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          O anúncio da Fundação da Batalha de Aljubarrota que iria colocar um ecrã gigante junto à capela, parecia ser um convite aos habitantes de S. Jorge e de Porto de Mós para assistirem ali às cerimónias de canonização do Santo Condestável, "o santo do povo", como sublinhou, em Roma, o nosso conterrâneo Luis Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas o poder de mobilização popular, esse, foi quase nulo.

          O vento norte que vinha do lado das instalações do centro de interpretação era um vento frio e pouco convidativo à presença da população naquela celebração. Seis turistas ribatejanos faziam tempo espreitando descontraídos para as televisões LCD. Iam acompanhando as cerimónias enquanto perguntavam a que horas abriam o centro de interpretação. Amantes de História, haviam escolhido por acaso aquele dia para a visita ao campo militar de S. Jorge.

          Dentro da capela sempre se está um pouco mais abrigado, mas nem por isso o ambiente deixa de ser frio, quase desolador. Sentadas nos bancos corridos, catorze idosas e três jovens raparigas assistem às cerimónias com devoção, através de mais uma televisão colocada à frente. Cerimoniosamente, duas senhoras colocam no altar uma tela com a imagem daquele que acabara de ser proclamado Santo pela Igreja e, por isso, acabara de ganhar o direito a um lugar de destaque nos altares.

          Um grupo de crianças, que entretanto trouxeram um pouco mais de calor àquele ambiente, chegaram atrasadas às cerimónias mas também não ficaram por ali muito tempo, uma vez que estava na hora de acabar a lição de catequese na qual aquela fugaz visita à capela estava integrada.

          Trazido pela mão do pai que me diz ser dali da região, Artur, 10 anos, sabe que Nuno Alvares Pereira foi "rei, ganhou a batalha de Aljubarrota e é considerado Santo".

          Cá fora, no campo da peleja e numa imitação de pedra tumular é recordado Pedro Alvares Pereira, irmão de D. Nuno, para muitos considerado um vilão.

          Aljubarrota foi, contudo, muito mais do que uma luta entre os irmãos Pereira. Hoje, entre santos e vilões, todos têm lugar no campo militar de S. Jorge. Não deixa por isso de ser estranho que a população local e a própria Câmara Municipal de Porto de Mós não tenham acompanhado in loco, de forma mais calorosa, a canonização de um Santo do qual se deveriam orgulhar, quanto mais não fosse por uma questão de proximidade. Este "Santo da casa" bem podia ter feito o milagre da cooperação entre a população de S. Jorge e a Fundação Batalha de Aljubarrota.

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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

O Partido Médico

           A criação do Serviço Nacional de Saúde, de acesso universal e tendencialmente gratuito, foi uma dádiva do 25 de Abril que comemoramos dentro de dias. Mas hoje, a reforma da Saúde lança-nos novos desafios com a criação de agrupamentos de Centros de Saúde, das Unidades de Saúde Familiar, das Unidades de Saúde na Comunidade e das Unidades de Saúde Pública.

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          Antes de voltar a este debate e de “tomar o pulso” aos serviços de Saúde no nosso concelho, a escrita de Alfredo de Matos ajuda-nos a traçar um retrato a preto-e-branco da organização da saúde dos portomosenses até à criação do SNS.

          O Partido Médico, em Porto de Mós, foi um problema que a Câmara teve de se avir frequentes vezes. E, nem sempre, isso teve ares de coisa fácil. Ele era conseguir médico disposto a abrir consultório na vila, ele era fazer vingar a candidatura dos que se propunham e desistiam. Nem aldemenos faltou a desagradável e péssima ocasião de ter que litigar com facultativo que, uma vez empossado, nem desempenhava o lugar, nem abria vaga, servindo-se de mil e uma rabulices a que sua inventiva ocorreu. Mas, isto não são contas deste rosário que vou desfiando, pelo que dou de mão ao pormenor e passo-me para os terrenos da minha lavra, o Alqueidão e o Partido Médico.

          Nesta matéria, é pouco e de banal qualidade aquilo que tenho a dizer, antes da extinção do Concelho, facto ocorrido em Setembro de 1895. E o que as minhas pesquisas deram resume-se naquilo que vem na acta da sessão camarária de 5 de Dezembro de 1884. Nela foi presente o projecto da reforma da tabella d’emolumentos que o Médico do Partido deverá levar quando for chamado para qualquer doente, cujo projecto foi pela Camara approvado e é como se segue”. Cortando o seguimento imediato, por ser coisa mais relativa à vila, passo àquilo que importa para o caso específico do Alqueidão. É a alínea do projecto, relativa às visitas domiciliares, fora de Porto de Mós. Nela se esclarece que as distancias killometricas são as designadas na tabela que se segue, feitas por freguesias e logares, e no cazo de não ir especificado na tabella algum logar, levará o caminho igual ao que estiver designado para o logar mais proximo, sendo sempre porem todas as visitas e receitas quer dentro da Villa quer fora da quantia de duzentos reis”.

          Do que o médico recebia por quilómetro percorrido, não fala o relato da sessão, mas diz os que separavam a sede do Partido Médico de cada lugar da Freguesia. Eram estes: Zambujal 3 km, Alqueidão – 5 km, Vales – 2,5 km, Casais dos Vales – 3 km, Carreirancha – 6 km, Covão da Oles e Pia Furada – 6 km, Bouceiros – 10 km, Casal Duro – 12 km, Demó – 6 km, Valongo – 11 km, Covas Altas – 8 km e Lagoa Ruiva – 12 km.

          Em caso de visita nocturna, tanto esta como o caminho contavam a dobrar.

          Restaurado o Concelho, em Janeiro de 1898, por motivos, ou sem razões, cujo entendimento não é possível, a Câmara Municipal de Porto de Mós, em matéria de assistência médica, arranjou uma situação de tal maneira oposta à ordem natural que só pode ser definida como obra de caprichosa arbitrariedade. Doutra maneira não pode chamar-se à circunstância de ter deixado fora do Partido Médico as freguesias do Alqueidão da Serra e Mira. No entanto, ambas as “enteadas” eram, sob o ponto de vista demográfico, das que, tradicionalmente, figuravam com maior densidade populacional.

          No meio de tudo isto, o que verdadeiramente provoca a atenção crítica do mais leviano observador, como a do mais arguto estudioso do municipalismo, é a incrível tranquilidade de consciência cívica, do alto da qual a Senhora Câmara olhava a situação das populações privadas de elementar assistência clínica. É a desenvergonhada indiferença, diante do prolongamento dum período, marcado com o ferrete ignominioso da desumanidade, sem dar um passo para endireitar o aleijão, quando a receita e a indispensável botica estavam na sua mão e só nela, como é evidentíssimo e como o desenrolar do caso se encarregará de ir dizer, para a coisa passar dos olhos aos ouvidos.

          Face à cómoda e escapatória inacção da Municipalidade, surge a exigência do injustamente retido. Era fatal como o destino mais cego.

          Ninguém deixará de encarar com a máxima neutralidade que semelhante desnivelamento de direitos causasse descontentamento nos povos de ambas as freguesias, e que este acabasse por se traduzir em oportuníssima reclamação, cujos fundamentos estão à vista.

          Ela apareceu, finalmente. O que provoca maior estranheza é que isto se verificasse tão serodiamente. Dos informes em que me baseei, não consta se a reclamação foi apresentada conjuntamente ou se cada Freguesia levou a sua ao Município. Também não consta se entre os dois povos houve combinações prévias ou se o protesto brotou naturalmente na alma dos dois povos. O facto de haverem caído, na Câmara, ao mesmo tempo, deixa supor que teria havido qualquer entendimento entre as duas freguesias.

          Se, muito antes do que vai ser dito, as populações não levaram à Câmara a justa defesa dos seus interesses e naturais direitos, atrasaram-se, incompreensivelmente. E digo isto porque a primeira referência em que topei, a respeito da aviltante desigualdade de posição, relativamente ao Partido Médico, foi na acta da sessão de 26 de Março de 1898, na qual se diz:

          “Deliberou a Camara que visto as freguezias da Mira e Alqueidão da Serra d’este Concelho, não terem facultativo municipal e haver reclamações insistentes dos povos para que o facultativo municipal visite tambem aquellas freguezias, a Camara resolveu convidar o seu facultativo a exercer a clinica n’elas enquanto se não põe novamente a concurso o referido logar, mediante a gratificação que arbitrará n’outra sessão.”

          Não admira a prontidão com que a Municipalidade pôs em andamento o pedido feito pelas freguesias citadas. O Concelho tinha sido restaurado em Janeiro daquele ano e havia toda a conveniência e vantagem no imediato atendimento das reclamações dos povos, parte dos quais preferiam continuar definitivamente ligados às cabeças de Concelho a que foram anexados em Setembro de 1895.

          Quanto ao médico do Partido, nessa altura, o Dr. Adelino Pereira da Silva, é documentalmente certo que aceitou o convite da Câmara e que, logo no mês seguinte, principiou a dar assistência médica às duas tão desprezadas populações. Nem admira que assim procedesse. Fora e aparte qualquer outra espécie de consideração, humanitária ou social, ele não deixaria de ter em conta a desfavorável situação material que lhe vinha criar o facto de Minde ter ficado para lá das estremas concelhias. Sem a menor dúvida, isso influenciaria no ânimo dos camaristas, logo que se falasse em novo contrato ou quando pedisse aumento de vencimento.

          Por outro lado, a notável redução de clientes que lhe acarretava a dita separação administrativa, levava-o a segurar, com as mãos ambas, aquela oportuna alternativa de compensação.

          Sabe-se como as coisas se passaram pela acta da sessão municipal de 13 de Janeiro de 1899, que diz o seguinte:

          “Foi presente um requerimento do Doutor Adelino Pereira da Silva, medico do partido, pedindo para lhe ser fixada a quantia da gratificação que lhe foi concedida pela Camara transacta em sua sessão de 26 de Março do anno findo pelo facto de se incumbir da clinica medica das duas freguesias do Alqueidão da Serra e Mira que foram incorporadas n’este Concelho e que não faziam parte do seu partido médico; e a Camara tendo em attenção os serviços prestados por aquelle clinico e attendendo a que o mesmo não sera obrigado a exercer as suas funções nas duas ditas freguesias, mas que, como a Corporação transacta tambem o tinha assim entendido merecia ser retribuido condignamente e ainda que a mesma Camara transacta tinha concedido gratificação mas não tinha designado o seu quantitativo, resolveu que a mesma fosse da quantia de cento e doze mil e quinhentos reis, com relação aos meses d’Abril a Dezembro inclusivé do anno de 1898, e que lhe fosse incluida em orçamento para lhe ser satisfeita.”

          E não ficam por aqui as coisas, o que facilmente se compreende visto que se impunha a necessidade de fazer novo contrato em que se contemplasse a situação criada, no relativo ao âmbito do Partido Médico. O assunto ficou resolvido na sessão de Câmara de 20 do citado mês. Nela “ foi mais presente um requerimento do Doutor Adelino Pereira da Silva, médico do partido, pedindo para lhe ser elevado o seu ordenado que percebe na razão de 300.000 reis para 450.000 reis visto a area do seu antigo partido médico ser composta só das freguesias de S. João, S. Pedro, Alcaria, Alvados, Serroventoso, Mendiga, Arrimal, e Juncal, e hoje depois do restabelecimento d’este Concelho ser composto também das freguesias do Alqueidão da Serra e Mira, allegando que esse aumento é correspondente à gratificação que esta Camara lhe votou no anno anterior pelo serviço clinico das duas referidas freguesias; e ainda que, o antigo partido medico municipal deste Concelho era composto das mesmas freguesias que o actual com excepção da de Minde que, digo, actual, e com a de Minde, que hoje está pertencendo ao Concelho de Torres Novas, era de 550$000; a Camara attendendo a que o actual partido em que o requerente em tempo foi provido, era de 300$000 por ser só composto das oito freguesias, que tinham passado para o Concelho d’Alcobaça, resolveu por unanimidade deferir ao mesmo requerimento elevando a 450.000 reis o ordenado do mencionado facultativo, com a obrigação de, o mesmo clinico a exercer tambem nas referidas freguesias do Alqueidão da Serra, e Mira, e com as mesmas condições a que se acha obrigado para as restantes oito.”

          Foi desta maneira que o Alqueidão e a Mira entraram na posse de direitos concedidos a todas as outras freguesias do Concelho, algumas das quais com menor expressão demográfica ou populacional e de mais baixo contributo fiscal.

          Apesar das voltas que dei, e foram tantas que não têm conto, nunca tive a sorte de bispar razão ou pretexto que explicasse a causa de contra-senso tão criminoso como injusto, tardonhamente remediado… assim ao jeito de quem trata de ciscar-se de “reclamações insistentes”. 

In "Legado Alqueidanense", Livro2, de Alfredo de Matos

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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Argumentário de Março

 

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       "Criminalidade está a aumentar no concelho."

         TITULO O Portomosense, acrescentando que, para a GNR, não há razões para alarme.


PensarAnimado

      "Estamos completamente desmotivados por falhas que nos empatam pessoal e profissionalmente."

          ►BRUNO FERREIRA, professor de Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), justificando a greve que estes professores fizeram, in O Portomosense


      “Muitas das medidas [anti-crise] não passam de show off."

          ►JOÃO SALGUEIRO, em encontro com outros autarcas da região, in Região de Leiria.


      "Chamar demagogia política às enormes dificuldades das pessoas, famílias e empresas, é no mínimo um disparate."

          ►COMUNICADO Concelhia do PSD a propósito do chumbo, pela executivo municipal, das suas oito propostas de combate à crise, in O Portomosense.


 

      "Mas que me interessa vir para aqui dizer que ainda esta semana paguei a água a duas ou três pessoas?"

          ►JOÃO SALGUEIRO, na Assembleia Municipal sobre a crise que afecta o concelho, in O Portomosense.


     

© Statler & Waldorf são dois personagens da série "The Muppet Show", uma criação de Jim Henson.

 

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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

O problema eólico

           Rui Marto, meu estimado amigo e actual secretário da Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra, justificou recentemente como a Junta gastou as verbas dos primeiros quatro anos do parque eólico. Era bom... mas acabou-se. Como autarca sabe que, sem recursos próprios, as Juntas de Freguesia nada mais podem fazer que passar uns atestados, ficando o desenvolvimento local ao livre arbitrio e às mesquinhas manobras políticas dos Paços do Concelho.

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A negociação vista pela imprensa

28-Out-2005
O recém-eleito presidente de Câmara, João Salgueiro, confirma que vai ser encetado um processo de diálogo que permita chegar a acordo. “Tive acesso a um parecer solicitado pela Junta que refere que a verba em questão é da Junta”, admite. Ciente de que a forma como esta questão for resolvida poderá abrir um precedente em relação a futuros parques eólicos a instalar no concelho, Salgueiro esclarece que cada caso será analisado isoladamente, uma vez que “em Alqueidão da Serra o parque eólico está instalado em terrenos baldios mas há projectos de instalação em terrenos privados”. O novo presidente anuncia ser sua intenção “sentarmo-nos à mesma mesa com o presidente da Junta para discutir a questão”. Por sua vez, Fernando Sarmento afirma-se confiante de que o diferendo não irá arrastar.
 
24-Nov-2006
Um ano depois, confirmam que as conversas têm acontecido. O acordo, contudo, é ainda uma miragem. Salgueiro diz estar a aguardar por pareceres jurídicos para decidir. Sarmento afirma apenas conhecer um parecer favorável à Junta que dirige. O presidente de Câmara não sabe quando a questão será solucionada e o autarca de Alqueidão acha que já se esperou demais. “Tudo temos feito para que o assunto seja resolvido para não defraudar as expectativas das pessoas”, diz Fernando Sarmento. Região de Leiria
 
07-Dez-2006
 A Câmara de Porto de Mós deverá inscrever apenas metade dos 2,5 por cento da renda do parque eólico de Alqueidão da Serra no orçamento municipal do próximo ano. Isso mesmo confirma João Salgueiro, presidente da Câmara, que “disputa” com a Junta de Alqueidão da Serra, a totalidade daquele valor.
Nos últimos dias têm-se intensificado os contactos entre as duas autarquias, visando encontrar uma solução de consenso. Uma das possibilidades em aberto é a solicitação de um parecer jurídico, aceite pelas duas partes e que permita colocar um ponto final na questão. Salgueiro advoga que a verba em causa - calculada em 125 mil euros - não é por demais significativa no bolo total do orçamento do município mas deverá evitar fracturas na votação do orçamento, adoptando o meio termo nesta questão.
Região de Leiria
 
NOTA: Inscrever, inscreveu, mas a Freguesia nunca viu a cor da outra metade do dinheiro.
 
22-Jun-2007
Vai ser resolvida em tribunal a contenda em torno do destino a dar à verba resultante da exploração de um parque eólico em Alqueidão da Serra. Há vários anos que a Junta local e a Câmara de Porto de Mós mantêm um diferendo em torno da titularidade da verba resultante das compensações pagas pela exploração do parque eólico
 
27-Jul-2007
Seria salomónico, mas não pode. “Na minha opinião, a solução era dividir a meio”, diz João Salgueiro, presidente da Câmara de Porto de Mós. O autarca garante que se dependesse exclusivamente da sua vontade, a disputa em torno das verbas do parque eólico de Alqueidão da Serra já estaria resolvida.
O autarca atribui a questões legais a necessidade de dirimir em tribunal o diferendo que opõe Junta de freguesia de Alqueidão da Serra e Câmara de Porto de Mós. Esta é uma solução que contraria a certeza de que o diálogo permitiria chegar a um consenso, como frequentemente assegurava.
Salgueiro vê-se na contingência de agir em desconformidade com a solução que preconiza para o diferendo, por imperativos legais. E explica: “há questões legais que aguardamos venham a ser ultrapassadas. Solicitámos pareceres sobre a matéria mas não são coincidentes.”
 
03-Abr-2008
Concelho recebe dois novos parques eólicos.
Depois da controvérsia em torno da repartição de verbas da energia eólica no Alqueidão, aquando o primeiro contracto, João Salgueiro refere que as contrapartidas "ainda estão em estudo", acrescentando que "não nos preocupa para onde vai o dinheiro". "Se fica no Alqueidão ou vai para o concelho será sempre bem empregue. O importante é que venha essa mais valia", sustenta o autarca
 
19-Mar-2009
 Em relação à repartição dos dividendos entre autarquia e juntas de freguesia, que tanta polémica tem gerado no Alqueidão da Serra [dos novos parques eólicos projectados para a Mendiga e Arrimal], João Salgueiro garante que "nestes novos contratos a postura da câmara será dividir a meio" os benefícios resultantes da exploração da energia eólica no concelho. O autarca admite ainda, em relação ao Parque Eólico de Chão Falcão, que "fosse fácil fazer a divisão a meio dos dividendos", no entanto, "não é fácil alterar o que está assinado", sustenta.
 

 

           Mas Rui Marto não é um alqueidanense qualquer. Técnico competente e dedicado, perfila-se como o eventual candidato do PS de Salgueiro à Junta de Freguesia do Alqueidão da Serra. Conhece o processo eólico, mas as negociações, ao que sei, foram conduzidas solidariamente pelo presidente da Junta. Rui Marto não tem como resolver o problema e terá, nesta ocasião um dilema: cruxifica-se pelo PS de Salgueiro ou devolve a Salgueiro a cruz da promessa que nunca cumpriu?

          Porto de Mós nunca teve um Presidente de Câmara tão volúvel, e esta novela das pretensas negociações não foi mais do que um logro com afirmações e contra-afirmações, com pareceres que não vinham, com mil e uma justificação para adiar um problema que Salgueiro sabia nunca querer resolver: meter na cabeça de Januário e Jorge Cardoso que o Presidente da Câmara e o PS são pessoas de bem e têm o dever de honrar os seus compromissos com a população do Alqueidão.

          Cabendo toda a responsabilidade política deste impasse a Salgueiro, Albino Januário e Jorge Cardoso, ao serem contra a devolução da renda à Freguesia, são objectivamente dois malfeitores do Alqueidão e por isso deveriam ser considerados "personas non gratas"  por aquelas paragens.

 

          Todos sabemos que não há contratos para a vida, nem os casamentos! Cheira, pois, a desculpa daquelas em que o nosso ainda presidente Salgueiro é pródigo, a sua última justificação: "que fosse fácil fazer a divisão a meio dos dividendos", no entanto, "não é fácil alterar o que está assinado".

          Ora, para alterar o que está assinado, desde que haja vontade genuina entre as partes (e as partes comprometeram-se a chegar a esse acordo durante o namoro da última  campanha eleitoral autárquica), bastaria acrescentar uma adenda ao contrato mais ou menos do seguinte teor: 

 

ADENDA

AO PARÁGRAFO ÚNICO do nº 8 do Contrato de Instalação e Exploração e de Cessão de Exploração de Terrenos Baldios de Alqueidão da Serra

 

          1. Aplicar-se-á o disposto no n.º 33 do Anexo II, aditado pelo artigo 3º do Decreto-Lei n.º 339-C/2001, de 29 de Dezembro ao regime jurídico da produção de energia eléctrica independente aprovado pelo Decreto-Lei n.º 189/88, de 27 de Maio, com as alterações introduzidas e de acordo com a interpretação consensual dos autorgantes e que é a seguinte:

                    a) Entende-se por “autarquia” as entidades administrativas Câmara Municipal e Junta de Freguesia.

                    b) A renda é referente a terrenos que, por serem na sua totalidade baldios, não são, por isso públicos nem privados, mas comunitários sendo o seu uso restrito aos moradores da zona  de acordo com a Lei n.º 68/93, de 04 de Setembro, (Lei dos Baldios),  sob administração do primeiro outorgante (Junta de Freguesia) em representação das comunidades locais.

           2. A renda de 2,5% sobre o pagamento mensal feito pela entidade receptadora da energia eléctrica produzida terá a seguinte distribuição:

                     a) 1,5% para o primeiro outorgante (Junta de Freguesia).

                     b) 1% para o segundo outorgante ( Câmara Municipal).

           3. O primeiro outorgante (Junta de Freguesia) perde o direito de reclamar do segundo outorgante (Câmara Municipal) qualquer renda que este tenha recebido anteriormente.
          4. Esta adenda entra imediatamente em vigor.
 
          Não havendo vontade política, o divórcio entre a população de Alqueidão da Serra e Salgueiro é irreversível. Resta apenas saber se será um divórcio amigável ou litigioso.
          Amigos como dantes é que... "jamais".
          Não invejo os lençóis onde dorme o meu amigo Rui Marto. 
publicado por Joga às 00:01

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Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

O catavento

          Afinal o que é um "catavento" na política local? Fomos ao dicionário e com a ajuda da história, descobrimos dois episódios da década de 1890 que podem desfazer algumas dúvidas. Apesar dos cataventos estarem a desaparecer das torres das igrejas, há mais de cem anos que na nossa terra se faz política da mesma maneira. E ainda há quem diga que a tradição já não é o que era…

 

          CATAVENTO: Bandeirinha, geralmente de ferro ou de folha que, enfiada numa haste, indica a direcção dos ventos.

 

          Quando os oficiais de pedreiro deram a nova torre da igreja do Alqueidão por acabada, quiseram à viva força, que o Padre-Cura espetasse o “galo” lá bem no coruto. Acedeu, de boa vontade o Padre Afonso, ao desejo dos artistas e satisfê-lo imediatamente, trepando pelo andaime com o ”galo” na mão.
          Aquele gesto era o culminar de uma desavença com uma tal Joana, mulher indecente, que pretendia fazer casa de “pouco mais ou menos” em frente da igreja. A obra logo foi embargada, mas a mulher, informada de que se, numa noite, levantasse paredes em que a cantaria ficasse de pé, levava a sua avante, vai, deita mãos à obra e realiza a orientação que lhe deu algum advogado ou vereador municipal mascarado de mafarrico. Como vêem, era boa “bisca”! E, ainda por cima, jogava com ás e rei!
          Depois da obra feita, Joana fez surriada, tocou berimbau e gaita, e riu-se. Riu-se mas não foi a última. O Padre Afonso principiou a desmanchar a igreja, e logo pela porta principal, que fez mudar para o lado oposto! A mulher caiu das nuvens e toda ela se desbaptizava a malucar no que ia dar aquilo. Era de boas arnelas o Padre Afonso! Virou o templo, comprou-lhe boas alfaias religiosas e devotas imagens, dotando-o com uma torre povoada de sinos.


          Na altura em que o Padre Afonso punha o catavento no seu devido lugar, a mencionada Joana, incapaz de segurar a raiva, atirou-lhe com a rancorosa praga:

           – “Ah! Não cair ele dali abaixo!”
          Ouviu-a o Padre Afonso e não se assustou, pois não era pessoa atreita a medos. Homem de resposta na ponta da língua, “agradeceu” os votos dizendo:
         – “Vozes de burro não chegam ao céu”.
          De burra, ficava mais certo, mas o Padre Afonso deu de mão à gramática para respeitar o ditado.
(1)

          E o “galo” de latão lá ficou a indicar a direcção do vento no topo mais alto da torre. Muitos alqueidanenses se orientaram por aquele catavento, apesar dos impropérios de Joana, mulher da vida.

 

          CATAVENTO: Pessoa volúvel (inconstante, instável)

 

          A construção da estrada que liga Porto de Mós e o Alqueidão foi pau que serviu para a colher dos políticos vezes e anos sem conta. Em certas eleições, os Progressistas haviam conquistado, coisa rara da sua banda, um influente cacique Regenerador, natural da Vila, o qual se desunhava a enviar a sua influência no eleitorado alqueidanense.

         Querendo impor-se aos novos correligionários no próprio dia do acto eleitoral, deslocou-se ao Alqueidão em viagem de caçador de votos ainda a manhã andava por terra dos quintos. Sem vez que fizesse excepção, emparceirava com ele, nas urnas, Domingos José Correia, da Carreirancha. Foi, por isso,  a primeira porta a que bateu. Identificou-se mas sentiu grande amargo de boca ao verificar que o dono da casa o atendia sem sair da cama. Fazendo das tripas coração, diligenciou atraí-lo à fala, cara-a-cara. Nada! Domingos José Correia mantinha-se no quentinho do vale de lençóis. Face à inutilidade dos esforços, decidido a engodar a presa, o cacique atira-lhe o isco:
          – “Ó Sr. Domingos, desta vez é que vai…”
          – “Ah! Vai?!... Então deixá-lo ir…”
          – “Não é isso, Sr. Domingos… Desta vez é que a estrada vai até ao fim… É que eu já me “virei”… percebe?...”
          – “Então como o senhor se virou lá fora, eu viro-me cá dentro… Oiça, oiça: upaaa…”,
e acompanhando a significativa interjeição com o gesto, voltou-se para o outro lado, continuando o sono, depois da irónica resposta.
          O cacique, à vista de tão inesperado sufrágio, logo na abertura da sua intervenção emendou o sentido da caminhada e, ao som da farfalhada que faziam as esfiadas camisas do colchão de Domingos José Correia, dirigiu-se ao ponto de origem, passando à porta de outros correligionários antigos, sem dizer “água vai” ou à maneira de “cão por vinha vindimada
”… (1)
          Mais de um século depois desta história, o político “catavento” não desapareceu e no Alqueidão, como no concelho, todos conhecem o seu nome. Felizmente que já não há colchões de esfiadas camisas, mas a ironia do sr. Domingos mantém-se embora com gente menos "dorminhoca"...


(1) Episódio contado na monografia "Legado Alqueidanense", de Alfredo de Matos.

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